Mounjaros do Paraguai: mitos e verdades revelados

O chamado “Mounjaro do Paraguai” virou febre nas redes sociais e em grupos de mensagens, gerando dúvidas sobre sua segurança. A seguir, especialistas esclarecem o que é mito e o que é verdade sobre esses produtos.
Se emagrece, vale a pena usar? Não. O resultado pode até aparecer, mas de forma insegura e com maior risco de efeitos colaterais. O tratamento correto contra a obesidade exige remédios certificados e acompanhamento médico constante.
É possível saber se o produto foi bem conservado? Não. Mesmo que a ampola chegue em um isopor refrigerado, não há garantia de que ela não veio no fundo falso de um pneu ou dentro de um doce de leite. Não vale arriscar.
Se não é seguro, por que há médicos que indicam e até aplicam? Profissionais que visam o lucro prescrevem, vendem e injetam produtos irregulares em consultório. Eles não conseguem garantir a segurança e eficácia do que aplicam. A venda de remédios na clínica, mesmo os originais, é proibida no Brasil e deve ser denunciada ao Conselho Federal de Medicina (CFM).
Se um influenciador indicou, é mais seguro? Não. Eles recebem dinheiro para comparecer a eventos e falar bem dos laboratórios paraguaios, muitas vezes sem sinalizar que aquilo é propaganda.
Toda caneta do Paraguai é irregular? Sim. Segundo a Anvisa, os laboratórios paraguaios nunca tentaram regularizar seus produtos no Brasil e não apresentaram estudos de segurança e eficácia.
A tirzepatida manipulada é igual à do Paraguai? Não se sabe ao certo. A Anvisa autoriza a manipulação da substância, mas muitos médicos não aprovam a prática, já que a fabricante não fornece a molécula original às farmácias magistrais.
Canetas paraguaias são equivalentes a genéricos? Não. Genéricos precisam de aprovação da Anvisa, contêm o mesmo princípio ativo do original, a mesma dose e forma farmacêutica, além de garantia de qualidade.
É seguro comprar pela internet? A venda de medicamentos pela web é proibida no Brasil, exceto por sites de farmácias regularizadas. O maior problema, no entanto, é a origem do produto vendido online.
Mitos e verdades sobre os riscos
O produto está sendo vendido em salões de estética e grupos de WhatsApp, com agenciadores oferecendo parcerias a médicos, segundo Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). Mesmo com preços mais baixos que a versão original aprovada pela Anvisa, a economia não compensa os riscos à saúde.
Para fazer o tratamento de forma correta, é preciso usar remédios certificados e ter acompanhamento médico. Profissionais que vendem ou aplicam esses produtos irregulares devem ser denunciados ao CFM. A falta de fiscalização e a ausência de garantias tornam o uso dessas canetas uma aposta perigosa.