Devorador de vírus: ser come 1 milhão por dia

Um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) revelou que um micro-organismo de água doce, chamado Halteria, é capaz de se alimentar de vírus. O protozoário, que faz parte do plâncton, pode ingerir de dez mil a um milhão de partículas virais por dia.
Pesquisadores da Suíça observaram que a Halteria, que vive em rios e lagos, se alimenta do Chlorovirus, um vírus de tamanho grande que infecta algas. Quando o vírus mata uma célula de alga, ele fica livre na água e se torna alvo da Halteria. A energia e os nutrientes obtidos desse consumo, como gorduras, aminoácidos e açúcares, são incorporados à dieta do protozoário.
Esse comportamento insere os vírus na cadeia alimentar de forma direta. A Halteria, por sua vez, serve de alimento para amebas, crustáceos, insetos e peixes. A descoberta também sugere que essa relação de predação pode influenciar a evolução do Chlorovirus, tornando-o mais apto a escapar de seus predadores.
Para os seres humanos, a ingestão de vírus acontece com frequência, já que eles estão presentes em células animais e vegetais consumidas na alimentação. No entanto, do ponto de vista nutricional, essa ingestão é insignificante. Para se obter a energia de um bife de 150 gramas, seria necessário consumir 150 quatrilhões de partículas virais, número que torna a prática inviável.
A possibilidade de usar organismos como a Halteria para eliminar vírus presentes em águas e esgotos é uma das perspectivas levantadas pelo estudo. A ideia seria aplicar esse tipo de tratamento biológico em ambientes onde os vírus estão fora das células e, portanto, vulneráveis à predação.
A pesquisa reforça a ideia de que os vírus, como qualquer ser vivo, ocupam um lugar no ciclo bioquímico da natureza, participando do fluxo de energia e nutrientes.