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Ameba comedora de cérebro mata criança nos EUA

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Ameba comedora de cérebro mata criança nos EUA
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Uma menina de 8 anos morreu no estado de Louisiana, nos Estados Unidos, após ser infectada pela ameba Naegleria fowleri, conhecida como "comedora de cérebros". Segundo o departamento de saúde local, a contaminação ocorreu, provavelmente, durante um banho no Lago Claiborne, no norte do estado.

A ameba vive em água doce e, em casos raros, entra pelo nariz e chega ao cérebro, causando uma infecção quase sempre fatal. Esta foi a primeira infecção confirmada na Louisiana desde 2013. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, menos de 10 pessoas são contaminadas por ano no país. Entre 1962 e 2024, foram 167 infecções registradas, com apenas quatro sobreviventes.

A Naegleria fowleri é um micro-organismo de vida livre que vive em lagos, rios, lagoas e fontes termais. Em situações mais raras, pode ser encontrada em piscinas mal higienizadas ou em água da torneira usada para lavagem nasal. No corpo humano, o protozoário causa a meningoencefalite amebiana primária (MAP), uma inflamação que atinge as meninges e o tecido cerebral, levando à destruição do cérebro e, na maioria dos casos, à morte.

Um estudo publicado em 2022 mapeou a doença no mundo. Entre 1937 e 2018, foram 381 casos em 33 países. Os Estados Unidos concentraram 41% das ocorrências, seguidos por Paquistão (11%) e México (9%). No Brasil, foram registrados cinco casos no período. Em 2024, o Ceará confirmou o primeiro caso de MAP no país por teste de PCR, em uma bebê. A análise foi feita pelo Instituto Adolfo Lutz, que também encontrou o parasita em uma cisterna usada pela família.

Os primeiros sintomas da infecção aparecem, em média, cinco dias após a exposição, mas podem levar de um a 12 dias. No início, o quadro é parecido com o de outras doenças, como a meningite bacteriana. Mudanças no olfato ou paladar podem ser o primeiro sinal. Depois, surgem dor de cabeça, rigidez na nuca, sensibilidade à luz, enjoo, vômito, confusão, sonolência e convulsões. A infecção provoca inchaço no cérebro e aumento da pressão intracraniana, podendo levar à necrose e à morte em até 10 dias.

O diagnóstico é feito por exames laboratoriais disponíveis em poucos lugares do mundo. Como a doença é rara e difícil de detectar no início, muitas vezes a confirmação ocorre só após a morte. A investigação começa com tomografia ou ressonância do cérebro e punção lombar. A confirmação depende de testes específicos, como a visualização da ameba no líquor ou o PCR.

Mais de 97% das pessoas com MAP morrem. Por isso, não há um tratamento padrão definido. Os médicos costumam usar uma combinação de antifúngicos, antibióticos e antiparasitários para tentar combater a infecção.

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