SUS pode incorporar injetável contra HIV a cada 2 meses

O Ministério da Saúde vai discutir na próxima semana a incorporação do cabotegravir ao Sistema Único de Saúde (SUS) para prevenção do HIV. Se aprovado, será a primeira profilaxia pré-exposição (PrEP) de longa duração na rede pública.
A proposta de inclusão foi encaminhada à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). O anúncio foi feito durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro.
A Conitec avaliará as evidências científicas, o custo-benefício e o impacto orçamentário. Somente após o parecer da comissão o Ministério da Saúde poderá deliberar sobre a incorporação.
O cabotegravir, nome comercial “Apretude”, é um medicamento injetável para prevenir a infecção pelo HIV antes do contato com o vírus, a PrEP. Diferente da versão oral disponível no SUS, tomada em comprimidos diários, a versão injetável é aplicada a cada dois meses.
Estudos indicam eficácia maior contra o vírus. Em uma pesquisa com mulheres, o cabotegravir injetável registrou quatro infecções pelo HIV entre mais de 1,6 mil participantes. No grupo que usou a PrEP oral, foram 36 casos.
A medicação foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023 e é comercializada em clínicas privadas. O valor costuma ser de cerca de R$ 3.700 por aplicação.
Se incorporado ao SUS, o cabotegravir pode representar um investimento maior em comparação à PrEP oral. Especialistas afirmam que o custo pode ser compensado pelas vantagens.
“Este parece ser um avanço, porque vence algumas barreiras, como a da adesão”, avaliou Ricardo Sobhie Diaz, professor de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Há estudos que relatam eficácia superior à dos comprimidos diários. É uma estratégia mais cara, mas que traz vantagens.”
Criado pela farmacêutica GSK, o Apretude é administrado por injeção intramuscular de 600 mg na região dos glúteos. O esquema prevê uma dose inicial, uma segunda aplicação um mês depois e, então, uma nova injeção a cada dois meses.
O cabotegravir bloqueia a integrase, enzima produzida pelo HIV necessária para a replicação do vírus. Assim, as chances de infecção são reduzidas.
Pesquisadores da GSK pretendem ampliar o intervalo entre as aplicações. “Estamos desenvolvendo uma nova formulação do cabotegravir, com o objetivo de permitir três aplicações por ano”, afirmou a pesquisadora Carolina Acuipil, durante uma pré-conferência da farmacêutica.
A empresa iniciará os testes da nova fórmula em um estudo chamado “EXTEND 4M”. A pesquisa avaliará a eficácia e segurança do composto para administração a cada quatro meses. Os primeiros resultados devem ser apresentados em um futuro congresso científico.