Doença de Dupuytren: sintomas, tratamento e recuperação

Talvez você conheça a doença de Dupuytren por outro nome, fibrose palmar, que basicamente é quando os dedos ficam dobrados para dentro da palma da mão.

Foi descrita pela primeira vez no século XIX por um cirurgião francês, Guillaume Dupuytren, de onde se originou o nome da doença.

Se você observar um nódulo na palma da sua mão, próximo ao dedo anelar ou mínimo, é melhor ficar atento principalmente se aparecerem outros, pois podem se conectar uns aos outros, formando uma corda.

Portanto, qualquer sintoma semelhante a esse, o mais indicado é consultar um médico das mãos, ou seja, um ortopedista especialista em mãos, pois é o melhor caminho para obter o diagnóstico correto.

Vamos explicar em mais detalhes o que é a doença de Dupuytren, sintomas e opções de tratamento.

Doença de Dupuytren: o que é?

A doença de Dupuytren é uma doença  que causa uma flexão progressiva e involuntária de um ou mais dedos da mão.

Está associada a um espessamento da fáscia palmar, uma estrutura localizada sob a pele da palma da mão e dos dedos. Esse espessamento é acompanhado de uma retração que limite a extensão dos dedos.

Essa contratura crônica afeta principalmente o quarto e quinto dedos, e é muito incapacitante na sua forma mais severa, quando o dedo fica muito dobrado na palma da mão, mas geralmente não causa dor.

Embora seja uma doença benigna, deve ser observada de perto e tratada para evitar sua progressão.

Geralmente aparecem pequenos nódulos na palma da mão, e com o tempo, eles podem se juntar, formando cordas, impossibilitando a realização de tarefas simples do dia a dia.

Isso acontece porque tais cordas, que vão da mão aos dedos, ficam mais curtas, e assim, a pessoa não consegue esticar os dedos.

Quais são os sintomas da doença de Dupuytren?

Essa doença é caracterizada pelo espessamento dos tecidos entre a pele e os tendões na palma da mão ao nível dos dedos.

É frequentemente por volta dos 50 anos que os primeiros sintomas da doença de Dupuytren aparecem. 

Todos os dedos da mão podem ser atingidos mas, em 75% dos casos, começa no quarto e quinto dedos.

No início da doença, é possível notar um ou mais nódulos na palma da mão, normalmente na área de flexão entre a palma e os dedos, mais perto do dedo anelar.

Nessa fase, não costuma causar dor, mas com o tempo, esses nódulos podem se juntar, formando cordas em direção aos dedos, e a contratura faz com que os dedos se fechem.

Na verdade, esses sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas o sinal de gravidade é quando a pessoa não consegue abrir completamente a mão.

Doença de Dupuytren: conheça os fatores de risco 

O consumo de álcool e tabaco é um dos fatores de risco, mas, às vezes, pode haver doenças associadas, como a epilepsia, hepatite e diabetes, por exemplo, que aumentam a chance do seu aparecimento.

Ainda não existe a definição de uma causa específica para a contratura de Dupuytren, mas o que se sabe é que há uma origem genética, por apresentar uma maior incidência em pessoas da mesma família.

Além disso, há uma prevalência de casos em homens com idade entre 45 e 60 anos, em cerca de 80%.

Como é feito o diagnóstico para a doença de Dupuytren

O diagnóstico é feito através do exame clínico, onde o médico examina cuidadosamente a mão do paciente para observar a presença de nódulos, cordas na palma da mão e se ele tem dificuldade em esticar os dedos.

Esses são os principais sinais que indicam a doença de Dupuytren.

Em alguns casos, o médico pode solicitar uma ecografia, apenas para confirmar o diagnóstico ou quando tem ainda alguma dúvida.

Lembrando que a evolução da doença é uma incógnita, até mesmo para os médicos, uma vez que não há uma causa conhecida.

Dessa forma, existem casos onde o paciente pode apresentar apenas um nódulo e em outros, a progressão da doença é muito rápida, sendo necessária então uma intervenção.

É bom deixar bem claro que a doença de Dupuytren é benigna, e não causa nenhum prejuízo à saúde como um todo, e nem apresenta risco para evoluir para um câncer ou outra doença mais séria.

A única questão é que causa desconforto e pode afetar o dia a dia da pessoa, pois não consegue abrir totalmente a mão e consequentemente, limita uma série de movimentos.

Qual é o tratamento para a doença de Dupuytren?

Como as causas são ainda desconhecidas, o único tratamento para a doença de Dupuytren é a cirurgia.

Existe um teste muito simples: o teste da extensão dos dedos, que consiste em colocar sua mão aberta em uma superfície plana.

Se você não conseguir abrir a mão completamente, ou seja, se um ou mais dedos não se alongam suficientemente e sua palma da mão não encosta na mesa, a cirurgia é indicada.

O objetivo é proporcionar a amplitude do movimento do dedo afetado e limitar o risco de propagar para os outros dedos, e isso é feito com a ressecção do tecido doente, e assim, libera o movimento.

Existe também um procedimento cirúrgico que consiste em fazer pequenas incisões nas cordas, geralmente indicado para pacientes idosos.

No entanto, tem um risco maior de lesão dos nervos e tendões. Por isso que apenas o médico especialista em mãos é capaz de avaliar caso a caso.

Doença de Dupuytren: como é a recuperação da cirurgia?

Na verdade, a recuperação da cirurgia vai variar conforme a gravidade do caso, mas na maioria das vezes, não apresenta problema.

Em casos mais leves, em duas semanas, o paciente já consegue voltar às suas atividades normais, porém, quando a doença já está mais avançada, será preciso esperar a cicatrização da mão.

Após a cirurgia, o paciente deve usar uma órtese para permitir manter em extensão o dedo operado.

Além disso, é necessário fazer alguns movimentos com os dedos e normalmente o paciente é encaminhado para fisioterapia, que também deve ser um profissional especializado em mãos.

Esse trabalho em conjunto é o que garante o sucesso da cirurgia e permite ao paciente a extensão completa dos dedos.

Portanto, caso você suspeite da doença de Dupuytren, como a presença de nódulos e cordas na palma da mão, o melhor a fazer é procurar um médico ortopedista especialista em mão, uma vez que ainda não se sabe como será a evolução da doença.

E se você puder ser acompanhado desde cedo, melhores serão os prognósticos!