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Parto proibido em Noronha: mulher dá à luz na ilha

Por Médico das Mãos · · 2 min de leitura
Parto proibido em Noronha: mulher dá à luz na ilha
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No último domingo (26), uma mulher deu à luz em Fernando de Noronha, o que não acontecia desde 2021. O caso é raro porque, desde 2004, o arquipélago não permite partos devido à falta de infraestrutura hospitalar.

A política existe há 22 anos. O governo de Pernambuco fechou a maternidade do Hospital São Lucas, na Vila dos Remédios, por questões econômicas. Manter gestantes e acompanhantes em Recife nos últimos três meses de gravidez sai mais barato do que manter uma estrutura permanente na ilha, que tem menos de 3,2 mil habitantes. O hospital é de média complexidade e não tem UTI para atender emergências de parto.

Grávidas residentes são transferidas para a capital pernambucana, a 545 km de distância, a partir da 28ª semana. As despesas com deslocamento, estadia e alimentação são pagas pelo governo. Apesar disso, algumas crianças nascem em Noronha em situações excepcionais.

Foi o que ocorreu no fim de semana. A paciente, residente temporária que trabalhava em uma pousada, procurou o hospital com dores lombares e disse não saber que estava grávida. A gestação foi descoberta durante o atendimento. Ela estava na 41ª semana e em trabalho de parto avançado. Após o parto, mãe e bebê foram transferidos para Recife na segunda (27) para exames como o teste do pezinho, que não estão disponíveis na ilha.

Normas para turistas geram polêmica

Um ponto de questionamento entre os moradores é a diferença de tratamento para turistas. Enquanto residentes são obrigadas a deixar a ilha após a 28ª semana, visitantes podem desembarcar em fases mais avançadas da gestação. O último parto antes deste domingo, em 2021, foi de uma turista de 33 anos que chegou a Noronha na 32ª semana e entrou em trabalho de parto.

Em 2020, a empresária Alyne Dias de Luna se recusou a viajar para Recife com medo de contrair Covid-19. Uma decisão judicial a obrigou a deixar a ilha, e ela foi escoltada pela polícia até o voo. O caso foi tema do documentário "Proibido Nascer no Paraíso" (2021), de Joana Nin, que mostra o impacto emocional e social do "exílio" das gestantes às vésperas do parto.

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