quinta-feira, 30 de julho de 2026Medicina e saúde das mãos
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HIV: novos casos reforçam possibilidade de cura

Por Médico das Mãos · · 3 min de leitura
HIV: novos casos reforçam possibilidade de cura
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Pesquisadores dos Estados Unidos anunciaram dois novos casos de potencial cura do HIV durante a abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), no Rio de Janeiro. Os pacientes permanecem sem sinais detectáveis do vírus no corpo há mais de um ano, mesmo após suspenderem os medicamentos antirretrovirais.

Com os novos relatos, sobe para 13 o número de pessoas no mundo consideradas curadas ou em remissão de longo prazo da infecção. Os resultados devem ser detalhados em publicações científicas nos próximos meses.

Para especialistas, os casos reforçam as evidências de que a eliminação do HIV do organismo é biologicamente possível. No entanto, o tratamento ainda é extremamente complexo e restrito a um grupo específico de pacientes.

Quem são os pacientes

Os dois pacientes desenvolveram cânceres no sangue e precisaram passar por um transplante de medula óssea. Para o procedimento, foram escolhidos doadores com uma mutação genética rara, chamada CCR5-delta32. Essa alteração impede que as formas mais comuns do HIV entrem nas células do sistema imunológico.

O primeiro caso, conhecido como "paciente de Kansas City", recebeu os diagnósticos de HIV e de leucemia em 2018. Ele fez o transplante em outubro de 2020 e usava antirretrovirais até fevereiro de 2025, quando os médicos suspenderam a medicação. Quatorze meses depois, os exames continuam sem detectar o vírus.

O segundo paciente, que não teve a identidade divulgada, também tinha hepatite B e variantes do HIV que usam diferentes receptores para infectar células. Um ano após interromper o tratamento, não havia vírus capaz de se multiplicar nem material genético completo do HIV em seu organismo. A hepatite B voltou a se replicar poucos dias após a suspensão dos medicamentos.

Como o transplante leva à remissão

Segundo o infectologista Ricardo Sobhie Diaz, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a estratégia combina três mecanismos. Primeiro, o paciente passa por quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia para eliminar as células da medula óssea que podem esconder o HIV. Depois, é feito o transplante com células de um doador com a mutação CCR5, que reconstroem o sistema imunológico e são resistentes ao vírus.

Em alguns casos, ocorre a "reação de enxerto contra hospedeiro", uma complicação em que as células do doador atacam as do receptor. Esse processo pode destruir células remanescentes que ainda escondem o HIV.

Cautela ao falar em cura

Diaz afirma que, nos casos de transplante de medula, é possível falar em cura. "Eu posso falar com certeza que eles estão curados", diz. No entanto, o procedimento apresenta alto risco de complicações e mortalidade, sendo indicado apenas para pacientes que já precisam do transplante para tratar doenças como leucemias.

O médico ressalta que a estratégia nem sempre funciona. "A gente mostra o sucesso, mas existem muitos fracassos", comenta. O desafio agora é desenvolver terapias que reproduzam os efeitos do transplante sem submeter os pacientes a um procedimento tão agressivo. Os novos casos funcionam como uma "prova de conceito" de que a remissão total é possível, mas a estratégia ainda não é para todos.

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