Alzheimer precoce: sintomas e por que atinge jovens

O caso da influenciadora canadense Rebecca Luna, que se submeteu a um procedimento de morte assistida no último sábado (25), chamou atenção para um problema neurodegenerativo de difícil diagnóstico e com causas ainda pouco compreendidas: o Alzheimer precoce, que começa a se desenvolver bem antes dos 65 anos, idade típica do início dos sintomas.
Rebecca Luna tinha 49 anos e, antes de receber a identificação correta do problema, ela atribuía os sintomas do Alzheimer ao transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), diagnóstico com o qual já convivia. Diante da piora da demência e sem possibilidade de reversão, ela optou pela morte assistida, procedimento legalizado no Canadá.
O Alzheimer precoce é definido como a versão dessa doença que se manifesta antes da idade típica para o surgimento dos sintomas, que ocorre por volta dos 65 anos. Pacientes podem começar a desenvolver a demência décadas antes do que seria esperado e, em alguns casos mais raros, pode haver sinais muito cedo na vida, ainda aos 30 anos.
Menos de 10% de todos os casos de Alzheimer ocorrem na faixa etária dos 30 aos 64 anos, e as causas para o surgimento precoce da doença ainda não são totalmente compreendidas. Estudos já encontraram um componente genético, mas ela só explica uma minoria dos diagnósticos. A grande maioria dos casos continua a ser definida como esporádica, sem uma origem clara.
Sabe-se, por exemplo, que mutações nos genes APP, PSEN1 e PSEN2 causam uma forma hereditária do Alzheimer precoce. O problema é particularmente preocupante em pessoas com síndrome de Down, que têm uma cópia extra do gene APP: mais de metade dos indivíduos com a síndrome acabam desenvolvendo essa demência, e é comum que os sintomas surjam por volta dos 50 anos.
No entanto, apenas 10% a 15% de todos os casos de Alzheimer precoce são explicados por esses genes. A ciência ainda tenta determinar outros possíveis fatores genéticos, ambientais e comportamentais capazes de levar ao desenvolvimento da doença mais cedo do que o normal.
Um dos desafios para a identificação correta do Alzheimer precoce é, justamente, o fato de ele começar a se desenvolver muito antes do que seria esperado. Por isso, quando um paciente busca investigar os primeiros sinais, é comum que a demência não seja suspeitada pelos médicos, que atribuem os problemas a questões como depressão, alterações hormonais (como as causadas pela menopausa), burnout ou o próprio TDAH de Rebecca Luna.
Além da dificuldade associada à idade, os sintomas também podem ser atípicos. O Alzheimer costuma ser associado à perda de memória, mas, na versão da doença com o início precoce, outros domínios cognitivos podem ser afetados antes com mais frequência do que ocorre em uma demência tardia. Problemas de atenção e concentração, pior percepção espacial, alterações de humor e afasia (dificuldade para se comunicar ou encontrar a palavra certa) são alguns dos sinais que podem surgir antes da perda de memória em jovens.