Terapia CAR-T: nova esperança para doenças autoimunes

A terapia CAR-T, técnica já usada no tratamento de alguns tipos de câncer, começa a ser testada em pacientes com doenças autoimunes graves, como lúpus, artrite reumatoide, esclerodermia e certas vasculites. O tratamento é voltado para pessoas que não respondem aos medicamentos convencionais.
Nessas doenças, o sistema imunológico ataca tecidos saudáveis do próprio corpo, causando inflamação e danos em órgãos como pele, articulações, rins e pulmões. Os tratamentos tradicionais buscam controlar essa resposta exagerada com medicamentos que reduzem a atividade das células de defesa. Os corticoides também são usados, principalmente em fases graves, mas seu uso prolongado pode causar efeitos colaterais.
A terapia CAR-T funciona de outra forma. Células de defesa do paciente são retiradas do sangue em um procedimento chamado leucoaférese. Em laboratório, elas passam por uma reprogramação antes de voltarem ao organismo. O paciente também faz um preparo para reduzir parte das células de defesa existentes, processo conhecido como linfodepleção.
A técnica foi criada para tratar cânceres do sangue, como leucemia e linfoma. Agora, pesquisadores passaram a usá-la em doenças autoimunes refratárias. Resultados preliminares mostram remissão prolongada em alguns pacientes, que ficaram sem sinais da doença por longos períodos e, em certos casos, sem precisar de imunossupressores.
Apesar dos resultados, a terapia ainda está em estudo. Mais pesquisas são necessárias para avaliar a eficácia e a segurança em longo prazo. Os efeitos colaterais em pacientes com doenças autoimunes parecem ser menos intensos do que os observados em pacientes com câncer hematológico.
O custo do tratamento ainda é alto e o acesso é limitado. No entanto, estudos clínicos estão em andamento em vários países, incluindo o Brasil, para ampliar a disponibilidade. Pacientes com doenças autoimunes graves que não responderam aos tratamentos convencionais devem conversar com seu reumatologista para saber se a terapia é uma opção ou se há estudos clínicos em andamento para os quais possam ser elegíveis.