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T.G. sem registro: riscos da tirzepatida paraguaia

Por Médico das Mãos · · 2 min de leitura
T.G. sem registro: riscos da tirzepatida paraguaia
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T.G. é uma marca de tirzepatida fabricada no Paraguai que vem sendo procurada para perda de peso, mas não tem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para venda no Brasil. O produto é vendido em farmácias paraguaias e anunciado em redes sociais e grupos de mensagens no país.

A molécula de tirzepatida imita dois hormônios produzidos pelo corpo, o GLP-1 e o GIP. Ela estimula a produção de insulina pelo pâncreas e age nos neurônios ligados à saciedade no cérebro, o que ajuda a controlar a glicose no sangue e reduzir a fome. Por isso, é usada no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.

O medicamento é fabricado pelo laboratório Indufar CISA, do Paraguai, fundado em 1973. A empresa entrou no mercado de diabetologia em 2025, lançando a T.G. e o Solufin (semaglutida). Antes disso, não comercializava medicamentos peptídicos, como insulina.

A T.G. é vendida em ampolas nas doses de 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 mg e 15 mg. O paciente aspira o medicamento com uma seringa e faz a autoaplicação. Em ampolas usadas por vários meses, o usuário precisa fracionar as doses.

A venda no Brasil é proibida. O produto tem aprovação da DINAVISA, agência regulatória do Paraguai, mas a Indufar nunca tentou registrar seus medicamentos na Anvisa. Por isso, a agência brasileira proibiu formalmente a venda e a publicidade da T.G. e de produtos similares paraguaios no território nacional. Medicamentos comercializados por terceiros na internet ou trazidos via fronteira são considerados clandestinos e ilegais, sujeitos a apreensão.

Efeitos colaterais e riscos

Além dos efeitos comuns das canetas emagrecedoras, como náuseas, vômitos e dores estomacais, não há estudos nacionais sobre o medicamento. Segundo Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), a dose pode ser até 38% maior do que a informada, o que aumenta o risco de intoxicação e de efeitos colaterais intensos ou imprevisíveis.

Análises de laboratório de tirzepatidas irregulares já encontraram anfetamínicos, anfetamol, insulina, contaminantes e soro não estéreo. A endocrinologista Maria Fernanda Barca, também da Sbem, afirma que os efeitos podem ser graves, com neurotoxicidade, infecções e até sepse. Não há bula oficial, mas a Indufar disponibiliza um pdf com informações sobre o produto.

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