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Fauci no Senado: o que é fato e o que é distorção

Por Médico das Mãos · · 3 min de leitura
Fauci no Senado: o que é fato e o que é distorção
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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a criticar as medidas adotadas pelo Brasil durante a pandemia de covid-19 em um vídeo publicado nas redes sociais no último domingo, 2. Na gravação, o parlamentar usa como base a recente audiência do médico Anthony Fauci no Senado dos Estados Unidos para sugerir que o depoimento reforça críticas feitas no passado a medidas como a vacinação e o uso de máscaras.

Fauci foi a principal autoridade de saúde pública dos EUA durante a pandemia. Na última semana, ele participou de uma audiência convocada por um comitê do senado liderado por republicanos, partido do presidente Donald Trump. O objetivo da sessão foi discutir a resposta do governo americano à Covid-19 e a hipótese de que o coronavírus tenha escapado de um laboratório em Wuhan, na China. Segundo os acusadores, Fauci estaria escondendo informações sobre as origens do surto.

Em suas redes, Ferreira alega que documentos pessoais atribuídos ao imunologista, apresentados no senado, contradizem suas posições públicas durante a crise sanitária. Na audiência, realizada na quarta-feira, 29, Fauci invocou a Quinta Emenda da Constituição americana, que garante o direito ao silêncio e desobriga alguém a testemunhar contra si mesmo. Com isso, o médico se recusou a responder a mais de cem perguntas dos parlamentares.

O senador republicano Rand Paul divulgou mais de mil páginas de um diário atribuído a Fauci. As anotações refletem diálogos entre cientistas na época e mudanças de posição conforme o mundo compreendia mais sobre a doença. Em fevereiro de 2020, Fauci escreveu que era “quase certo” que o vírus evoluiu naturalmente de uma transmissão entre espécies, mas que mantinha a mente aberta para a possibilidade de vazamento de laboratório. Paul afirmou que o imunologista “escreveu em privado e o que disse ao país são duas histórias diferentes”. Fauci, em resposta, disse que o político tinha uma “obsessão descontrolada” por ele.

Origem da pandemia

Um relatório do Grupo Consultivo Científico para as Origens de Novos Patógenos (SAGO), da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado no ano passado, concluiu que a hipótese mais consistente é a de que o SARS-CoV-2 passou de animais para seres humanos, diretamente de morcegos ou por um hospedeiro intermediário. Os especialistas ressaltam que ainda não é possível determinar exatamente quando, onde e como o vírus entrou na população humana. Por isso, a OMS afirma que “todas as hipóteses devem permanecer em aberto”.

O grupo avaliou quatro cenários: transmissão direta de animais silvestres; acidente de laboratório; introdução do vírus em mercados de animais; e manipulação deliberada em laboratório. As duas últimas hipóteses são amplamente desacreditadas pela comunidade científica. Sobre a transmissão zoonótica, o ponto cego é que, embora o Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Wuhan tenha tido papel importante na disseminação inicial, não há provas de que foi o local da primeira transmissão. A hipótese de acidente de laboratório permanece inconclusiva por falta de informações sobre as pesquisas na China.

Medicamentos sem eficácia comprovada

No vídeo, Nikolas Ferreira também diz que os documentos de Fauci comprovariam que o médico errou ao afirmar que hidroxicloroquina e ivermectina não tinham eficácia contra a doença. “Depois que o Trump endossou o medicamento, o Fauci voltou atrás”, alegou o deputado. Estudos amplos, no entanto, não comprovaram a eficácia desses medicamentos contra a Covid-19. A OMS e agências reguladoras de diversos países, incluindo a Anvisa no Brasil, não recomendam o uso dessas substâncias para o tratamento da doença.

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