Emagreceu com caneta? Como manter o peso

O uso de medicamentos como os análogos de GLP-1, a exemplo da semaglutida, e os agonistas duplos GIP/GLP-1, como a tirzepatida, tem mudado a realidade do tratamento da obesidade. Milhões de pessoas conseguem emagrecer de forma significativa com essas canetas. No entanto, a pergunta que surge agora é como manter o peso quando o efeito da medicação diminui ou é interrompido.
Especialistas apontam que a obesidade é uma doença crônica que altera os sistemas de regulação da fome, saciedade e gasto energético. Quando ocorre a perda de peso, o organismo interpreta isso como uma ameaça e cria adaptações fisiológicas para recuperar o peso perdido, como aumento da fome e redução do gasto energético. Os medicamentos ajudam a reduzir essa pressão biológica enquanto estão em uso.
Estudos como a extensão do ensaio STEP 1 mostram que participantes que interromperam a semaglutida recuperaram, em média, cerca de dois terços do peso perdido no ano seguinte. Isso não indica que a medicação não funcionou, mas que a obesidade continua existindo como doença mesmo após o emagrecimento.
O tratamento deve ser encarado como uma oportunidade para construir novos hábitos alimentares. Com a fome mais controlada, o paciente pode aprender a reconhecer sinais de fome e saciedade, comer devagar, organizar refeições e consumir proteínas adequadamente. A medicação reduz a dificuldade biológica de mudar o comportamento, mas não ensina a comer. Isso vem da prática diária com educação nutricional, atividade física e acompanhamento multiprofissional.
A massa muscular também é um ponto importante. Durante o emagrecimento há perda de massa magra, e quando essa perda é excessiva, o gasto energético cai ainda mais. Treinamento de força, ingestão adequada de proteínas e manutenção da atividade física são pilares do tratamento.
Interromper a medicação não deve ser visto como um teste de força de vontade. O aumento da fome após a retirada do medicamento significa que mecanismos biológicos voltaram a atuar com intensidade. O modelo de tratamento deve ser semelhante ao de outras doenças crônicas, com algumas pessoas conseguindo suspender a medicação e outras precisando usá-la por muitos anos.