Colonoscopia tem risco de morte? Entenda os fatos

Uma mulher de 41 anos morreu após sofrer uma perfuração no intestino durante uma colonoscopia no Hospital Municipal de Ermelino Matarazzo, em São Paulo. Mariana dos Santos Candido passou pelo exame na terça-feira, 28, e precisou passar por uma cirurgia de emergência após as complicações. A agente de apoio escolar não resistiu e faleceu no dia seguinte.
A perfuração intestinal é uma complicação que ocorre quando há um rompimento na parede do intestino. Isso pode fazer com que fezes e líquidos digestivos vazem para fora do órgão, provocando infecção grave se não for tratado rapidamente.
Médicos ouvidos pela reportagem afirmam que casos como esse são raros. Estudos indicam que perfurações em colonoscopias de diagnóstico ocorrem entre 0,016% e 0,2% dos procedimentos. Quando o exame é feito para retirar lesões pré-cancerígenas, o risco chega a no máximo 5%, mas segue considerado baixo.
Fauze Maluf Filho, endoscopista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que mesmo quando ocorre uma perfuração, o paciente costuma ser diagnosticado e operado com sucesso. Para ele, a mortalidade em exames é extremamente infrequente. Outras complicações possíveis, mas também raras, incluem sangramento e reações à sedação.
Como o exame funciona
A colonoscopia é um exame de imagem que permite visualizar o interior do cólon, a parte central do intestino grosso. É a principal técnica para detectar doenças intestinais, especialmente o câncer, segundo tumor que mais mata no mundo. O procedimento também permite tratar alterações, como a retirada de pólipos que podem se tornar cancerígenos com o tempo.
O exame usa um tubo flexível chamado colonoscópio, com cerca de um centímetro de diâmetro, que tem uma mini-câmera na ponta. As imagens são transmitidas para um monitor acompanhado pelo médico. O paciente recebe sedação e o procedimento dura entre 20 e 40 minutos.
Quando problemas podem acontecer
A perfuração pode ocorrer porque o aparelho precisa percorrer curvas e regiões delicadas do intestino. Em alguns pacientes, a passagem é mais difícil, aumentando o risco de lesão. Os grupos mais vulneráveis são idosos acima de 75 anos e pessoas com diverticulite, doenças inflamatórias intestinais, cirurgias abdominais prévias ou condições que deixam a parede do cólon mais frágil.
O gastroenterologista Décio Chinzon, da USP, explica que há três contextos principais para a perfuração. O primeiro é o barotrauma, quando o gás usado para expandir o intestino aumenta demais a pressão e provoca ruptura. O segundo é a lesão mecânica, causada pelo manuseio do aparelho. O terceiro é a lesão térmica, que pode ocorrer durante procedimentos que usam calor para cortar tecidos ou controlar sangramentos.
Riscos e benefícios
A colonoscopia é indicada como método de rastreio para câncer de intestino a partir dos 50 anos, segundo o Ministério da Saúde. Deve ser repetida a cada 10 anos se o paciente não tiver sintomas ou novos fatores de risco. Quem tem casos na família pode precisar começar antes, como foi o caso de Mariana, que iniciou o rastreio aos 41 anos porque o pai morreu da doença.
Pesquisas mostram que adiar ou evitar o exame é mais perigoso para a saúde a longo prazo do que realizá-lo. O câncer colorretal é um dos tumores que mais cresce, especialmente entre pessoas com menos de 50 anos. Na rede privada, os atendimentos para a doença cresceram 80% em oito anos. No Brasil, o INCA estima cerca de 45 mil novos casos por ano. O aumento está relacionado ao consumo de ultraprocessados, sedentarismo e obesidade.
O exame é considerado seguro e permite a detecção e retirada de pólipos que podem evoluir para câncer, além do diagnóstico de doenças intestinais. A realização por profissionais treinados reduz ainda mais a chance de problemas.