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Aborto espontâneo: causas, riscos e quando tentar de novo

Por Médico das Mãos · · 3 min de leitura
Aborto espontâneo: causas, riscos e quando tentar de novo
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O surfista Gabriel Medina, de 32 anos, e a bailarina Isabella Arantes, de 29, confirmaram que perderam o primeiro filho do casal. A notícia veio após um exame morfológico realizado aos três meses de gestação, conforme Medina informou ao GE. O casal recebeu a notícia cinco dias depois da cerimônia de casamento.

Nas redes sociais, Isabella Arantes não falou diretamente sobre o assunto, mas publicou uma mensagem em nome do casal pedindo paciência aos seguidores. “Nosso coração precisa de um tempo”, escreveu. “Neste momento, pedimos apenas compreensão e respeito ao nosso tempo. Em breve estaremos de volta.”

O que é o aborto espontâneo

O aborto espontâneo é a perda da gravidez que acontece antes da 20ª semana de gestação, ou seja, aproximadamente cinco meses. Esse tipo de evento é considerado comum, apesar de ser difícil para as famílias. Estima-se que de 10% a 20% das gestações reconhecidas terminem em perda gestacional precoce.

Especialistas apontam que esses números podem ser ainda maiores, já que muitos abortos ocorrem antes mesmo de a mulher saber que está grávida. Nesses casos, o sangramento pode ser confundido com uma menstruação intensa e fora de época. “São eventos relativamente frequentes e, na maioria das vezes, não estão associados a doenças maternas ou do casal”, explica Leonardo Coelho, médico obstetra especialista em Gestação de Alto Risco e coordenador da Emergência da Maternidade Brasília, da Rede Américas.

Causas da perda gestacional

A causa mais comum das perdas gestacionais precoces são alterações genéticas no embrião. Estudos indicam que mais de 60% dos abortos espontâneos entre a 6ª e a 10ª semana estão relacionados a defeitos na quantidade de cromossomos do feto. Isso acontece de forma espontânea, sem uma causa definida. “Por isso, quando ocorre um episódio isolado, geralmente não é necessário realizar uma investigação médica aprofundada”, avalia Coelho.

O cenário muda quando há perdas recorrentes. Nesses casos, os médicos podem solicitar exames para investigar condições como síndrome antifosfolípide, uma doença autoimune que causa problemas na gravidez, ou alterações hormonais e metabólicas. Alterações na formação da placenta e, em uma parcela menor dos casos, problemas no trato reprodutor, como miomas, cicatrizes internas ou malformações uterinas, também podem contribuir. Algumas infecções virais, como rubéola, zika e citomegalovírus, aumentam o risco de aborto espontâneo.

Fatores de risco

O principal fator de risco é a idade materna avançada. Aos 45 anos, as chances de perda gestacional precoce podem chegar a 75%. Outras condições associadas ao aumento do risco incluem obesidade, diabetes, doenças da tireoide, excesso do hormônio prolactina no sangue, doença celíaca e doenças autoimunes. Mulheres que já tiveram abortos espontâneos, especialmente após a 20ª semana, também apresentam maior probabilidade de novas perdas.

Há ainda fatores modificáveis, como tabagismo, consumo de álcool, uso de cocaína e ingestão excessiva de cafeína, acima de três xícaras de café por dia.

Nova tentativa de gravidez

Quando a perda ocorre de forma isolada, sem complicações, não há contraindicação para uma nova tentativa de gravidez já no ciclo menstrual seguinte. Isso depende de a mulher se sentir preparada física e emocionalmente. “Mais relevante do que estabelecer um prazo fixo é garantir que o casal tenha concluído a investigação das possíveis causas e se sinta emocionalmente pronto para uma nova tentativa”, diz Coelho.

O medo de engravidar novamente após uma perda pode acontecer. A ginecologista Débora Farias Leite, especialista em climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), destaca que a experiência anterior não determina o futuro. “Você nunca vai deixar de ser mãe daquele bebê que, infelizmente, foi a óbito. Mas o fato de ter acontecido de uma determinada maneira na primeira gravidez não significa que a gente não possa escrever um novo caminho e uma nova história numa gestação seguinte”, explicou à VEJA SAÚDE.

A especialista ressalta que cabe à equipe médica acolher os receios da mulher, oferecer apoio emocional e acompanhar a nova gravidez para aumentar as chances de um desfecho positivo.

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