quarta-feira, 12 de agosto de 2026Medicina e saúde das mãos
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Adesivo para espinha funciona? Veja quando usar

Por Médico das Mãos · · 2 min de leitura
Adesivo para espinha funciona? Veja quando usar
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Os adesivos para espinhas viraram febre nas farmácias e nas redes sociais. Há versões transparentes, coloridas e até em formatos de estrela e coração, atraindo adolescentes e adultos. Mas será que eles realmente tratam a acne? A eficácia depende do tipo de lesão.

Os modelos mais comuns, feitos de hidrocoloide, podem acelerar a cicatrização e diminuir a vermelhidão de algumas espinhas. No entanto, não substituem o tratamento da acne e não funcionam em todos os casos. “Eles absorvem a secreção da espinha, mantêm o ambiente úmido e controlado, o que é o ideal para a cicatrização”, explica a dermatologista Glauce Eiko, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Na prática, o adesivo age como uma barreira física. Ele impede o atrito e evita que a pessoa esprema, manipule ou contamine a lesão. “Isso pode levar à infecção secundária e ao aparecimento de manchas”, acrescenta Eiko.

O resultado varia conforme a fase da espinha. O melhor efeito ocorre quando a lesão já tem uma pústula com ponto branco. “Nesse caso, o hidrocoloide entrega seu melhor resultado, já que consegue ‘sugar’ ativamente o pus e o exsudato, líquido que sai da lesão. Esse processo reduz o volume, o inchaço e a vermelhidão”, detalha a médica.

Os adesivos também são úteis quando a espinha já foi rompida. Nessa situação, funcionam como um curativo: preservam a umidade natural da pele, protegem contra sujeira e radiação ultravioleta e favorecem a cicatrização. Já nas fases iniciais da inflamação, quando há apenas uma pápula sensível, sem ponto branco, o benefício é pequeno. O produto serve principalmente para evitar que a pessoa toque na lesão.

Em espinhas internas, como cistos e nódulos profundos, e nos cravos abertos ou fechados, os adesivos não trazem benefícios. Existem ainda versões com ácido salicílico, niacinamida e microagulhas, que liberam substâncias na pele. “Eles podem oferecer uma ação química complementar, mas as evidências científicas sobre o benefício adicional dessas substâncias ainda são limitadas”, afirma a dermatologista Barbara Miguel, do Einstein Hospital Israelita.

Para usar, é preciso comprar produtos com registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A pele deve estar limpa e seca. Cremes, séruns ou óleos não devem ser aplicados sobre a espinha, pois reduzem a aderência do material. O patch precisa cobrir toda a lesão e ser pressionado por 10 a 20 segundos. O ideal é mantê-lo por seis a 24 horas, ou até ficar opaco e esbranquiçado, sinal de que absorveu o máximo de secreção.

Quem usa retinoides ou peróxido de benzoíla deve evitar aplicar esses produtos sob o adesivo. Se fizerem parte da rotina, os ácidos devem ser usados apenas ao redor da lesão, já que a oclusão do patch pode aumentar a penetração das substâncias e causar irritação intensa. Ao retirar, remova lentamente pelas bordas e hidrate a região.

Esses produtos não tratam a causa da acne. “Quem apresenta espinhas frequentes ou acne moderada a grave precisa de uma avaliação dermatológica para tratar o processo inflamatório e evitar cicatrizes”, alerta Barbara Miguel.

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