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Tirzec: efeitos, riscos e falta de registro no Brasil

Por Médico das Mãos · · 2 min de leitura
Tirzec: efeitos, riscos e falta de registro no Brasil
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Tirzec, produto à base de tirzepatida fabricado no Paraguai, tem sido promovido para perda de peso, mas não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A comercialização do produto é ilegal no Brasil e sua segurança não foi avaliada pelo órgão regulador.

A molécula de tirzepatida age imitando dois hormônios produzidos pelo organismo, o GLP-1 e o GIP. Essa ação estimula a liberação de insulina, ajuda a controlar a glicemia, retarda o esvaziamento do estômago e aumenta a saciedade. Por esses mecanismos, é eficaz no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.

As evidências científicas sobre a molécula foram obtidas em estudos com a tirzepatida original, desenvolvida pela farmacêutica norte-americana Eli Lilly e vendida sob a marca Mounjaro. A molécula original é protegida por patente internacional e a Lilly não fornece o princípio ativo para outros fabricantes. Portanto, a Tirzec não utiliza a molécula original.

O produto é vendido em ampolas de 5 mg, 7,5 mg, 10 mg e 15 mg. Diferente das canetas preenchidas, o usuário precisa aspirar o medicamento com uma seringa e aplicar por via subcutânea. Em algumas opções, o conteúdo do frasco pode ser usado em mais de uma aplicação, exigindo que o paciente faça o fracionamento da dose.

A Tirzec é fabricada pelo laboratório paraguaio Quimfa S.A., fundado em 1985. A empresa começou com medicamentos para gripe e expandiu sua atuação. A tirzepatida pertence a uma classe recente de terapias metabólicas, que exige fabricação complexa com controle de estabilidade, armazenamento e qualidade.

Embora tenha autorização da DINAVISA, agência regulatória do Paraguai, o produto não pode ser vendido no Brasil. Segundo a Anvisa, medicamentos sem registro não podem ser divulgados ou distribuídos no país. Produtos comprados no Paraguai e revendidos pela internet ou redes sociais são considerados clandestinos e podem ser apreendidos.

Os efeitos colaterais possíveis incluem náuseas, vômitos, diarreia, constipação, dores abdominais e redução intensa do apetite. Por não ter passado pela avaliação da Anvisa, não há dados públicos que confirmem qualidade, pureza, estabilidade e concentração da formulação. Análises laboratoriais de tirzepatidas irregulares já encontraram contaminantes, anfetamínicos, insulina e soluções sem esterilidade adequada.

Especialistas recomendam o uso de medicamentos aprovados pela Anvisa, com acompanhamento médico e controle de dose. O médico hepatologista Raymundo Paraná, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), afirma que a regulação existe para proteger o paciente. O produto não tem bula aprovada no Brasil, já que nunca recebeu registro para comercialização.

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