quarta-feira, 12 de agosto de 2026Medicina e saúde das mãos
Médico das Mãos
Saúde

Droga reduz proteína do Alzheimer em estudo

Por Médico das Mãos · · 2 min de leitura
Droga reduz proteína do Alzheimer em estudo
ivulgação

Um ensaio clínico divulgado na última Conferência Internacional da Associação de Alzheimer trouxe novidades para o tratamento da doença. A droga experimental chamada diranersen, também conhecida como BIIB080, reduziu em até 65% os níveis da proteína tau no líquor de pacientes na fase inicial do Alzheimer. Os dados, que ainda não foram publicados em periódico científico, indicam melhora nos escores de avaliações cognitivas após 18 meses de tratamento.

A proteína tau se acumula entre as células nervosas e está ligada às placas de beta-amiloide, alvo dos anticorpos monoclonais aprovados recentemente no Brasil e no mundo. Segundo Tatiana Branco, diretora médica da Biogen, farmacêutica que desenvolve a molécula, remover apenas as placas de beta-amiloide retarda o avanço da doença, mas não cura ou reverte os prejuízos à memória ou ao comportamento.

O diranersen pertence a uma nova classe de medicamentos, os oligonucleotídeos antissensos (ASO). Esses fármacos se ligam a uma sequência específica do RNA mensageiro para identificar e eliminar a proteína tau do cérebro. A fórmula experimental tem mostrado eficiência na "limpeza" da proteína de forma sutil, evitando edemas e hemorragias no processo.

Prevenção e diagnóstico precoce

Estudo da USP estima que mais da metade dos casos de Alzheimer no Brasil, que podem chegar a 4 milhões até 2050, poderia ser prevenida. Tatiana Branco destaca que o controle de doenças cardiovasculares, diabetes, perda auditiva e visual, além do combate à baixa escolaridade, isolamento social e sedentarismo, são ações que ajudam a evitar o declínio cognitivo.

A especialista reforça que esquecimentos frequentes merecem atenção médica, mas alerta que apenas 15% dos pacientes diagnosticados no início da doença têm perda de memória. Alterações de comportamento, como agitação, agressividade ou introspecção, e dificuldades para tomar decisões ou gerir finanças também são sinais que necessitam de avaliação.

O estágio inicial da doença é a única janela para o uso da nova geração de medicamentos anti-amiloides, como o lecanemabe, desenvolvido pela Biogen. O tratamento, feito quinzenalmente, reduz em cerca de 27% a velocidade do avanço da doença em 18 meses, comparado a pacientes que não usaram o medicamento. Com isso, as pessoas podem ganhar mais tempo com independência e ressocialização, embora não haja cura.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X