Colesterol alto: como detectar antes do infarto?

O colesterol alto é um problema que pode passar despercebido por muitos anos. A maioria das pessoas que convive com a condição não apresenta sintomas como dor, falta de ar ou tontura. Enquanto isso, as placas de gordura se acumulam lentamente nas artérias, sem que a pessoa sinta qualquer desconforto.
Em muitos casos, o primeiro sinal do problema é um evento grave, como um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC). O processo de formação dessas placas, chamado aterosclerose, pode levar décadas para se desenvolver. O problema se agrava quando essas placas reduzem a passagem de sangue ou se rompem repentinamente.
Por esse motivo, esperar sentir algo para procurar um médico é um erro. O objetivo da prevenção cardiovascular é agir antes que o primeiro evento aconteça. A investigação do colesterol não deve ser adiada para a meia-idade em todos os casos. Pessoas com histórico familiar de infarto precoce, AVC ou colesterol muito elevado devem iniciar o acompanhamento mais cedo.
Alterações genéticas podem manter o colesterol elevado desde a infância, aumentando o risco de doenças cardiovasculares na vida adulta. Identificar esses pacientes precocemente permite iniciar mudanças no estilo de vida e, quando necessário, o uso de medicamentos antes que as artérias sofram danos.
O tratamento para redução do colesterol tem como base as estatinas, que possuem benefícios comprovados na prevenção de infarto e AVC. Para pacientes de alto risco, existem novas opções terapêuticas. Os inibidores da PCSK9, como o evolocumabe, e o inclisirana, um medicamento de RNA de interferência, conseguem reduzir o LDL com aplicações pouco frequentes.
Essas novas terapias não substituem hábitos saudáveis e não são indicadas para todas as pessoas. A prevenção envolve conhecer o histórico familiar, controlar a pressão arterial, o diabetes e o peso, praticar atividade física e não fumar. Exames laboratoriais ajudam a identificar alterações lipídicas precocemente.
O grande desafio atual é fazer com que mais pessoas descubram seu risco antes que a doença se manifeste. A cardiologia moderna foca em identificar quem apresenta maior risco antes que o problema aconteça, e não apenas em tratar quem já sofreu um infarto.