sábado, 08 de agosto de 2026Medicina e saúde das mãos
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Cirurgia de língua presa alivia amamentação, diz estudo

Por Médico das Mãos · · 2 min de leitura
Cirurgia de língua presa alivia amamentação, diz estudo
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Um estudo conduzido pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) indica que a cirurgia para correção da língua presa pode trazer benefícios para a amamentação. A pesquisa acompanhou 40 famílias e observou redução no esforço muscular dos bebês e no desconforto das mães.

A anquiloglossia, nome técnico da língua presa, ocorre quando o frênulo lingual, membrana que liga a língua ao assoalho da boca, é mais curto ou espesso que o comum. A condição pode dificultar a alimentação e a fala. Segundo a médica Renata Cantisani di Francesco, presidente do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a prevalência é de cerca de 8% dos recém-nascidos.

O diagnóstico é fechado após avaliação de uma equipe multiprofissional, que inclui pediatras, otorrinolaringologistas, dentistas e fonoaudiólogos. A fonoaudióloga Paula Fernanda Santana, professora da UFPE, explica que é feita uma análise anatomo-funcional para verificar se a anatomia do frênulo atrapalha funções como mamar e falar.

O procedimento cirúrgico, chamado frenotomia, consiste em cortar a membrana para liberar o movimento da língua. O estudo orientado por Santana mostrou que, após a cirurgia, imagens em infravermelho indicaram que 67% dos bebês fizeram menos esforço com a língua. O desconforto das mães também diminuiu em nove de cada dez casos. O artigo foi publicado no periódico CoDAS, da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa).

Teste da linguinha

O rastreio da língua presa é feito pelo teste da linguinha, obrigatório no Brasil desde 2014. O exame é rápido e indolor e avalia o freio lingual em recém-nascidos ainda na maternidade. No entanto, o teste analisa apenas a anatomia. Para confirmar o diagnóstico, é necessário observar se a condição está prejudicando o desenvolvimento da criança.

A cirurgia pode ser feita por dentista ou médico, em qualquer idade. A indicação leva em conta as características anatômicas e funcionais de cada paciente. No pós-operatório, a recuperação dura poucos dias e pode incluir o uso de analgésicos e dieta fria e pastosa.

A SBP ressalta que a cirurgia só deve ser indicada em casos de limitações graves de movimento. Para as demais situações, abordagens não-cirúrgicas devem ser consideradas primeiro, evitando riscos como sangramentos, infecções e lesões musculares. O acompanhamento multiprofissional é recomendado para apoiar a adaptação da criança e o bem-estar da mãe durante a amamentação.

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