Boreout: a síndrome do tédio que afeta a saúde mental

O burnout, doença ocupacional ligada ao excesso de pressão e carga de trabalho, é um termo conhecido. Porém, seu "oposto", o boreout, ainda gera dúvidas. A condição, também chamada de "síndrome do tédio", estaria relacionada à falta de estímulos e desafios no ambiente profissional.
Diferente da ociosidade simples, o boreout envolve uma sensação profunda de estagnação e ausência de propósito na carreira. Não é um diagnóstico formal, mas pesquisas indicam que pode afetar a saúde mental, estando ligado a baixa autoestima e sentimentos negativos.
Estudos mostram que trabalhadores com rotinas repetitivas e pouco desafiadoras podem desenvolver quadros de frustração. Uma pesquisa francesa de 2021, que analisou questionários de mais de 500 trabalhadores, identificou quatro eixos para o problema: carga de trabalho insuficiente, falta de estímulos, sentimento de culpa e incompatibilidade entre valores pessoais e a realidade do trabalho.
Os sintomas do boreout incluem tédio, culpa, baixa autoestima, depressão e apatia. No ambiente de trabalho, a insatisfação aumenta a intenção de pedir demissão. Por outro lado, a falta de um diagnóstico formal torna menos comum o afastamento por licença médica, como ocorre em casos de burnout.
O burnout foi descrito na década de 1970 e reconhecido no CID-11 em 2022. O conceito de boreout é mais recente, do século 21, e ainda conta com poucos estudos científicos. A tendência é que não se torne um diagnóstico oficial reconhecido.