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RED-S: a síndrome que fragiliza ossos de atletas

Por Médico das Mãos · · 2 min de leitura
RED-S: a síndrome que fragiliza ossos de atletas
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O RED-S, sigla em inglês para deficiência energética relativa no esporte, é uma condição silenciosa que pode afetar atletas de alto rendimento. O problema ocorre quando o gasto de energia do corpo é maior do que a quantidade de calorias consumidas na alimentação.

Atletas que restringem a alimentação para perder peso ou aumentar o volume de treinos sem ajustar a ingestão calórica podem desenvolver o quadro. A falta de energia faz o organismo priorizar funções essenciais, como o funcionamento do coração e do cérebro, e reduzir o investimento em outras áreas, como a produção hormonal e a saúde dos ossos.

Com o tempo, a capacidade de formar e reparar o tecido ósseo fica comprometida. Os ossos se tornam mais frágeis, mesmo que o atleta mantenha a rotina de treinos e o desempenho aparente. Uma das consequências mais comuns são as fraturas por estresse, pequenas fissuras causadas pela repetição de impactos sem que haja um trauma específico.

Dores persistentes nas pernas, pés, pelve ou região lombar, recuperação lenta entre os treinos e queda inesperada de rendimento são sinais que merecem atenção. Nas mulheres, alterações ou interrupção da menstruação são pistas importantes. Nos homens, o diagnóstico pode demorar mais porque as mudanças hormonais são menos evidentes.

O RED-S também pode afetar a imunidade, aumentar o risco de lesões musculares, prejudicar a concentração e alterar o humor. Em adolescentes e adultos jovens, a condição é ainda mais preocupante, pois é nessa fase que o organismo constrói a maior parte da massa óssea que protege durante o envelhecimento. Se a síndrome ocorre nesse período, a reserva óssea pode nunca atingir seu potencial máximo, elevando o risco de osteoporose e fraturas décadas depois.

O tratamento envolve corrigir a disponibilidade de energia por meio da alimentação, ajustar a carga de treinos quando necessário e acompanhar o atleta com uma equipe multidisciplinar, incluindo médicos, nutricionistas, fisioterapeutas e preparadores físicos. Quanto mais cedo a condição é identificada, maiores são as chances de recuperação completa.

Especialistas alertam que a ideia de que quanto mais magro melhor deve ser abandonada. Em muitos casos, um corpo extremamente definido pode indicar falta de energia para manter o organismo saudável. Dores recorrentes, fraturas por estresse ou queda inexplicada de rendimento não devem ser tratadas como parte normal do treinamento. Esses sintomas podem ser um pedido de ajuda de um organismo que trabalha no limite.

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