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terça-feira, 15 de setembro de 2026Medicina e saúde das mãos
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Lesões e Fraturas

Fratura de clavícula: tipoia ou cirurgia, tempo de cura e volta ao esporte

A fratura de clavícula é uma das mais comuns do corpo e, na maioria dos casos, cola sozinha com tipoia.

Por · · 6 min de leitura
Ciclista de capacete azul pedalando em uma estrada asfaltada entre árvores

A queda de bicicleta termina com o ciclista sentado no acostamento, segurando o braço junto ao corpo e com um calombo visível na base do pescoço. No pronto-socorro, a radiografia confirma o que a deformidade já sugeria: fratura de clavícula. É uma das fraturas mais frequentes do corpo, comum em ciclistas, motociclistas, jogadores de futebol e crianças, e uma das que mais geram dúvida sobre operar ou não.

Na maioria dos casos, a clavícula cola sozinha com tipoia e paciência. Operar, fixando o osso com placa, fica para situações específicas, e a decisão passa por três perguntas que um médico de ombro faz diante da radiografia: os fragmentos estão afastados, o osso encurtou e o que essa pessoa precisa fazer com o braço nos próximos meses.

Como a clavícula quebra

A clavícula liga o esterno à escápula e é o único osso que prende o braço ao tronco. Ela quebra quando a pessoa cai sobre o ombro ou sobre a mão estendida, e a força sobe pelo braço até o ponto mais fino do osso, no terço médio. Cerca de oito em cada dez fraturas acontecem ali.

O peso do braço puxa o fragmento externo para baixo, e o músculo do pescoço puxa o interno para cima. É isso que forma o degrau visível sob a pele. Fraturas na ponta externa, perto do ombro, são menos comuns e têm um comportamento diferente, com mais chance de não colar.

Em crianças, o osso ainda tem uma camada externa flexível e costuma quebrar sem se deslocar, o que torna o tratamento mais simples e a cura mais rápida.

Fratura de clavícula: tipoia ou cirurgia, conforme o caso

A tabela reúne os critérios que mais pesam na decisão.

SituaçãoConduta habitualMotivo
Fragmentos alinhados ou pouco afastadosTipoia, 4 a 6 semanasO osso consolida sozinho em posição aceitável
Criança ou adolescenteTipoia, 3 a 4 semanasO osso remodela e corrige o desalinhamento com o crescimento
Afastamento total dos fragmentos ou encurtamento acima de 2 cmFixação com placa e parafusosRisco maior de não colar e de perda de força
Fratura com vários fragmentos ou pele ameaçadaCirurgiaFragmento pode perfurar a pele; alinhamento difícil sem fixação
Atleta ou trabalhador braçal com fratura desviadaCirurgia costuma ser oferecidaRetorno mais rápido e previsível à função

O tratamento com tipoia, passo a passo

Quando a escolha é não operar, o roteiro das primeiras semanas é este:

  1. Tipoia simples ou imobilizador em oito, com o cotovelo a 90 graus, por um mês a um mês e meio em adultos.
  2. Gelo por 15 minutos, várias vezes ao dia, na primeira semana, e analgésico conforme prescrição.
  3. Movimentos de cotovelo, punho e dedos desde o primeiro dia, para não enrijecer o braço.
  4. Pêndulo com o tronco inclinado a partir da segunda semana, se o médico liberar.
  5. Radiografia de controle entre a segunda e a terceira semana, para conferir se os fragmentos se mantiveram.
  6. Retirada da tipoia quando a radiografia mostra o calo ósseo e a dor no ponto da fratura desaparece.

Quanto tempo leva para colar

Em adultos, o calo ósseo aparece entre a quarta e a sexta semana, e a consolidação completa leva de oito a doze semanas. Em crianças, a metade disso. O calombo no lugar da fratura é o calo, e ele diminui ao longo de doze meses, mas pode permanecer como uma saliência discreta.

Fumantes, diabéticos e pessoas com fratura muito desviada demoram mais, e é nesse grupo que a chance de o osso não colar, a chamada pseudartrose, fica acima de 10% quando o tratamento é sem cirurgia.

Como é a cirurgia com placa

Quando a escolha é operar, o procedimento é feito com um corte sobre a clavícula, os fragmentos são alinhados e uma placa de titânio é fixada com parafusos. Dura em torno de uma hora, e a alta costuma ser no mesmo dia ou no seguinte. A tipoia fica por duas a três semanas, menos do que no tratamento conservador, porque a placa segura o osso.

Os inconvenientes são a cicatriz, a sensação da placa sob a pele, que incomoda com alça de mochila e cinto de segurança, e a possibilidade de retirar o material depois de um ano. Uma pequena área de dormência abaixo da cicatriz é comum e costuma melhorar com o tempo.

A volta ao esporte e ao trabalho

Dirigir volta quando a tipoia sai e o braço gira o volante sem dor, por volta da quarta semana no tratamento conservador e da segunda ou terceira com placa. Trabalho de mesa, em uma a duas semanas. Trabalho braçal e esporte sem contato, entre a oitava e a décima segunda semana, com a radiografia mostrando consolidação.

Esporte de contato e ciclismo em terreno irregular esperam a consolidação completa, em geral três meses, para evitar uma nova fratura sobre o calo ainda imaturo. Quem volta antes, com o osso ainda mole, costuma repetir a queda no mesmo ponto e recomeçar o tratamento do zero, agora com um osso mais difícil de alinhar. Fortalecer o manguito rotador e a escápula antes do retorno reduz o risco de dor no ombro depois.

Sinais de que algo não vai bem

Dor no ponto da fratura que persiste após dez semanas, movimento entre os fragmentos ao apalpar, dormência ou formigamento na mão, dedos frios e pele com ponto branco sobre um fragmento são sinais de avaliação. Depois da cirurgia, febre, vermelhidão e secreção no corte indicam infecção e exigem retorno imediato.

Perguntas frequentes sobre fratura de clavícula

Fratura de clavícula precisa de gesso?

Não. A imobilização é com tipoia ou com o imobilizador em oito. Gesso não segura a clavícula e atrapalha a higiene.

Quanto tempo de tipoia?

Um mês a um mês e meio em adultos, três a quatro semanas em crianças, ou duas a três depois de operar.

O calombo vai sumir?

Diminui ao longo de um ano, mas pode ficar uma saliência discreta. É o calo ósseo, não um problema.

Posso dormir de lado?

Sobre o lado bom, com um travesseiro apoiando o braço, sim. Sobre o lado fraturado, só depois da consolidação.

Quando a criança volta à escola?

Em poucos dias, com a tipoia e sem educação física por quatro a seis semanas.

A placa precisa ser retirada?

Não é obrigatório. Ela é retirada quando incomoda, passados doze meses ou mais, em uma cirurgia menor.

Resumo

A fratura de clavícula cola sozinha com tipoia na maioria dos casos, em quatro a seis semanas em adultos e menos em crianças. A cirurgia com placa é indicada quando os fragmentos estão totalmente afastados, o osso encurtou mais de dois centímetros, há vários fragmentos ou a pele está ameaçada, e é uma opção para atletas e trabalhadores braçais. A volta ao esporte de contato espera a consolidação completa, por volta de três meses.

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