sábado, 08 de agosto de 2026Medicina e saúde das mãos
Médico das Mãos
Saúde

Chá de absinto: o que a ciência revela sobre a infusão

Por Médico das Mãos · · 2 min de leitura
Chá de absinto: o que a ciência revela sobre a infusão
imedia Commons)

O chá de absinto, mais conhecido no Brasil como chá de losna, é uma infusão feita com as folhas e flores secas da planta Artemisia absinthium. A espécie, que também recebe nomes como sintro, santa-margarida e erva-do-fel, é a mesma usada na produção da bebida alcoólica de alto teor que ficou famosa mundialmente.

A receita caseira é tradicionalmente usada para aliviar problemas digestivos, como indigestão e azia, além de ser empregada na medicina popular como estimulante de apetite. Apesar da fama, a ciência ainda tem poucos estudos clínicos em seres humanos que comprovem esses efeitos.

Pesquisas feitas em laboratório, com células e animais, indicam que extratos da planta têm ação anti-inflamatória, hepatoprotetora e antipirética. Esses resultados, porém, são considerados preliminares e precisam de confirmação em estudos mais amplos.

Outros usos históricos da planta têm ainda menos respaldo científico. O chá já foi usado como vermífugo, uma indicação que aparece até no nome da planta em inglês, “wormwood”. Não há provas de que a infusão combata parasitas no corpo humano, e ela não deve substituir tratamentos com antiparasitários prescritos por médicos.

Estudos pequenos e antigos também testaram a losna no alívio de sintomas da doença de Crohn. Os resultados foram positivos na redução da dependência de corticoides, mas não há trabalhos mais recentes que confirmem o benefício. Nesses casos, o que foi testado foi o absinto em pó, uma versão mais concentrada do que a usada no chá.

Cuidados no consumo

O consumo do chá de absinto deve ser limitado. A recomendação é que o uso não ultrapasse duas semanas seguidas. Se os sintomas persistirem, um médico deve ser procurado para investigar a causa do problema digestivo.

A infusão é considerada abortiva e contraindicada na gestação, pois não há doses seguras definidas pela ciência. Mulheres que amamentam, crianças e pessoas com histórico de doenças hepáticas, úlceras estomacais e epilepsia também devem evitar preparações com a planta.

A bebida alcoólica feita com absinto foi associada historicamente a uma condição chamada “absintismo”, que causava convulsões e alucinações. O composto tujona, presente na planta, foi apontado como o culpado por décadas. Estudos posteriores mostraram que o problema eram as altas doses de álcool da bebida.

A tujona ainda exige atenção: em grandes quantidades, ela tem potencial neurotóxico e pode causar os sintomas descritos. No entanto, é difícil atingir esse nível de perigo apenas com o consumo do chá. A orientação segue sendo não usar a infusão por mais de duas semanas e não tratar problemas de saúde com chás sem acompanhamento médico.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X